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Eleitora de Trump critica detenção de babá com histórico migratório complexo em Houston

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A detenção de Joyce Basele, uma babá queniana de 64 anos que reside em Houston, Texas, pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) em 18 de junho, gerou indignação em sua empregadora, Maureen Mendrek-Laske. A engenheira e mãe de quatro filhos, que se identifica como eleitora do ex-presidente Donald Trump, expressou surpresa e frustração com a ação das autoridades, questionando o foco da política migratratória americana.

A complexa trajetória de Joyce Basele nos EUA

Joyce Basele iniciou sua jornada nos Estados Unidos em 1995, com um visto de visitante, antes de retornar ao Quênia. Ela voltou ao país norte-americano em setembro de 2005, desta vez com um visto diferente, como dependente do visto de trabalho religioso de seu então marido, conforme detalhado por sua advogada especializada em imigração, Leslie Giron Kirby.

Queniana Joyce Basele trabalhava como babá em Houston — Foto: Reprodução/GoFundMe Crédito: Extra.globo.com

Contudo, a situação migratória de Joyce foi comprometida em 2011, após seu divórcio. Uma ordem de deportação foi emitida em 22 de junho daquele ano, e seu recurso junto ao Conselho de Apelações de Imigração foi indeferido em 20 de junho de 2012, consolidando a decisão de que deveria deixar o país.

Regime de supervisão e uma multa milionária em discussão

Apesar da ordem de deportação, Joyce Basele não foi imediatamente removida. Em agosto de 2012, ela foi colocada sob um regime de supervisão, uma medida que lhe permitiu permanecer nos EUA mediante apresentações periódicas às autoridades de imigração e a manutenção de uma autorização de trabalho válida, o que ela cumpriu por mais de uma década.

Recentemente, em 15 de julho de 2026, uma Notificação de Infração e Ordem do Departamento de Segurança Interna impôs penalidades civis e uma multa de US$ 1,8 milhão (aproximadamente R$ 9 milhões) a Joyce. O documento acusa-a de “deliberadamente falhar ou recusar-se a deixar os Estados Unidos” em cumprimento à ordem de deportação. Sua advogada, Leslie Giron Kirby, contesta veementemente essa alegação, argumentando que o próprio Departamento de Segurança Interna a havia colocado sob supervisão anos antes.

Indignação da empregadora revela dilema da política migratória

Maureen Mendrek-Laske, a empregadora de Joyce, manifestou seu descontentamento com a prisão da babá. “Eu não acreditava que era isso o que esperava quando votei a favor de uma reforma migratória”, disse Maureen, ressaltando que sua expectativa era de que o foco da fiscalização estivesse em indivíduos com histórico criminal. A revolta de Maureen ilustra um dilema comum entre eleitores que apoiam políticas de imigração mais rigorosas, mas se surpreendem quando a aplicação dessas leis afeta pessoas com laços comunitários e sem histórico criminal grave, como Joyce.

A situação de Joyce Basele destaca a complexidade do sistema de imigração dos EUA, onde indivíduos com longos períodos de residência e status legal ambíguo podem enfrentar consequências severas. Embora uma petição de caráter humanitário em favor de Joyce continue em tramitação e uma suspensão da ordem de deportação tenha sido concedida em 23 de julho, a batalha legal permanece. Maureen Mendrek-Laske reforçou o laço afetivo com a babá, declarando: “Ela é realmente parte da nossa família”.