
Desabamento de prédio na Zona Leste de SP — TV Globo Crédito: Mixvale.com.br
As equipes de resgate do Corpo de Bombeiros de São Paulo confirmaram a descoberta de mais um corpo na noite de 12 de setembro de 2026, elevando para três o número de vítimas fatais do colapso de uma estrutura em construção sobre uma residência na Penha, Zona Leste da capital paulista. A operação se intensificou na madrugada do dia seguinte, focada na busca por três pessoas ainda desaparecidas sob os escombros, incluindo uma criança e duas mulheres.
O trabalho incessante dos militares concentrou-se na área da casa que foi esmagada pela queda do edifício vizinho, que contava com 12 andares. Estima-se que oito indivíduos ocupavam a região impactada no momento do incidente. Até o momento, cinco moradores foram retirados pelos socorristas: dois sobreviveram com ferimentos, e três foram encontrados sem vida.
Entre as vítimas fatais, estão uma mulher grávida, outra mulher e o homem cujo corpo foi localizado durante a noite. Duas pessoas sobreviveram ao impacto com escoriações leves: uma criança de 7 anos e um homem de cerca de 30 anos, ambos encaminhados para o Pronto-Socorro do Tatuapé após os primeiros atendimentos.
Para lidar com a complexidade da ocorrência, um contingente de 70 bombeiros, com o apoio de 22 viaturas, cães farejadores e maquinário pesado, atua no local. O objetivo principal é remover as lajes e criar passagens seguras para prosseguir com as buscas pelos desaparecidos. O desmoronamento ocorreu por volta das 2h na Rua Tequici, acompanhado de um forte estrondo, conforme relatos de moradores.
O desastre na Penha expõe uma série de irregularidades preexistentes e uma longa disputa judicial envolvendo a edificação. A Prefeitura de São Paulo já possuía registros de vistorias e movia um processo contra o empreendimento. Em 2019, o pedido de alvará do responsável pela obra foi negado. Fiscalizações da Subprefeitura Penha constataram diversas infrações, resultando em multas que totalizaram R$ 119 mil.
Diante da persistência das irregularidades, a administração municipal ingressou com uma ação judicial em 2021, exigindo a demolição da estrutura. Uma decisão liminar foi emitida por magistrados, ordenando a interrupção imediata de todas as atividades no local. Esta cronologia de ações da prefeitura, desde a negação do alvará até a ordem judicial de demolição, ressalta a gravidade das falhas que culminaram na tragédia e levanta questionamentos sobre a eficácia da fiscalização.
Em 2022, a construtora apresentou uma nova proposta técnica na tentativa de regularizar o lote. Em agosto de 2023, a prefeitura concedeu um Alvará de Aprovação e Execução de Edificação Nova, sob a condição explícita da demolição obrigatória da estrutura antiga. Agentes públicos atestaram a conclusão dessa demolição prévia em fevereiro de 2024, o que permitiu a extinção do processo judicial em andamento.
Contrariando o relatório oficial assinado, informações preliminares do Executivo indicam que a construtora não executou a demolição exigida. Diante dessa grave discrepância, a Prefeitura de São Paulo determinou a abertura de um procedimento na Controladoria Geral do Município para investigar a conduta dos fiscais envolvidos na obra. Todos os relatórios emitidos antes do desabamento estão sendo minuciosamente examinados por auditores. A servidora que assinou a liberação foi suspensa de suas funções por um período inicial de 30 dias, visando garantir a imparcialidade da apuração dos fatos.
A Polícia Civil já abriu um inquérito para investigar as circunstâncias do desmoronamento. Técnicos da Defesa Civil inspecionaram o perímetro e, por precaução, interditaram três casas vizinhas, cujas famílias foram imediatamente removidas. Representantes da Defesa Civil do Estado, da unidade municipal e funcionários da Subprefeitura Penha prestam apoio contínuo no local.
Peritos ainda trabalham para determinar os fatores que levaram ao colapso repentino. Embora houvesse precipitação no momento da ocorrência, a Defesa Civil esclareceu que o temporal isoladamente não é suficiente para justificar a ruína de um prédio. A New Home Construtora, por sua vez, emitiu um comunicado oficial informando que iniciou uma averiguação interna e aguarda dados técnicos para esclarecer o incidente. A empresa mencionou que obras vizinhas com terraplanagem pesada serão avaliadas nas perícias técnicas para comparar a estabilidade do solo nas propriedades limítrofes, afirmando que assumirá responsabilidades comprovadas e prestará assistência às pessoas atingidas.