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Demora do Discord na remoção de conteúdo criminoso gera alerta da Polícia Civil de SP

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Relatórios divulgados pela Polícia Civil de São Paulo revelam uma demora considerável da plataforma Discord em desativar servidores que hospedavam conteúdos criminosos e representavam perigo para menores de idade. Em um dos incidentes mais graves documentados, a empresa levou quase 17 dias para remover um ambiente virtual após a notificação inicial, que ocorreu em 2 de setembro de 2026. Os documentos, compilados pelo Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), apontam que o tempo médio de resposta aos alertas foi de 17 horas, um período considerado inaceitável diante da gravidade dos delitos.

A corporação paulista analisou um total de 63 comunicações de emergência enviadas ao Discord entre maio de 2025 e janeiro de 2026. Nessas circunstâncias, a resposta da plataforma às denúncias de material ilícito levou, em média, 17 horas. Contudo, a desativação completa dos servidores muitas vezes se estendeu por dias, como no exemplo de um espaço digital que permaneceu acessível por mais de 16 dias.

Discord leva semanas para remover conteúdo criminoso após alertas da Polícia Civil – Mix Vale Crédito: Mixvale.com.br

Entenda o funcionamento do Discord e os crimes identificados na plataforma

A lentidão na atuação do Discord é um ponto de grande preocupação para as autoridades. A agilidade na retirada de conteúdo ilegal é fundamental para prevenir danos maiores, especialmente em casos envolvendo crianças e adolescentes ou ameaças iminentes à vida. Os investigadores destacam a urgência de implementar mecanismos mais rápidos para salvaguardar os usuários da rede.

Os servidores denunciados pelo Noad continham uma gama de delitos graves e condutas perigosas. As informações detalham desde o planejamento de estupros virtuais até a incitação ao suicídio e automutilação, além de casos de abuso sexual infantil. O rol de ocorrências traça um cenário alarmante de atividades criminosas online que demandam uma intervenção imediata.

Os registros da Polícia Civil detalham diversas categorias de infrações, sublinhando a vasta e perigosa natureza do material encontrado. A proliferação desses ambientes virtuais sem um controle eficiente representa uma ameaça significativa à segurança pública, em particular para os mais jovens.

A Polícia Civil também ressaltou que o Discord não disponibiliza ferramentas adequadas para restringir o acesso de crianças e adolescentes a conteúdos impróprios ou ilegais. Essa fragilidade na supervisão expõe jovens a ambientes nocivos sem a proteção necessária. Além disso, os documentos indicam que o sistema de registro da plataforma permite a criação de contas sem a exigência de dados que assegurem uma identificação confiável, dificultando as investigações policiais.

A ausência de mecanismos robustos para a verificação de idade e identidade pode criar um ambiente propício para a atuação de criminosos. A facilidade de acesso e um relativo anonimato são fatores que inquietam as autoridades brasileiras no combate aos delitos digitais.

Novas regras do ECA Digital impactam proteção de menores em plataformas

Os relatórios do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad) documentam os seguintes tipos de crimes detectados em servidores do Discord:

  • Discriminação racial
  • Discurso de ódio
  • Ameaças diretas
  • Apologia e estímulo ao crime
  • Manifestações de violência
  • Pornografia envolvendo crianças
  • Pedofilia
  • Estupro
  • Homicídio
  • Tráfico de entorpecentes
  • Comércio de armas
  • Assédio
  • Bullying
  • Sextorsão
  • Pornografia
  • Ataques cibernéticos
  • Golpes
  • Fraudes
  • Infração de direitos autorais

Adicionalmente, foram identificadas ocorrências de exploração sexual de crianças e adolescentes, planejamentos de ataques ou incêndios contra pessoas em situação de rua e apologia ao terrorismo. É crucial destacar que um único servidor podia abrigar múltiplas práticas criminosas simultaneamente, o que intensifica a complexidade e a urgência de sua desativação.

Um dos episódios mais alarmantes e demorados para ser resolvido envolveu um servidor que organizava um evento de sacrifício de gatos. Em 15 de julho de 2025, às 14h45, a Polícia Civil enviou um alerta ao Discord. Apesar da insistência no pedido, a plataforma recusou a remoção sete dias depois, sem fornecer qualquer justificativa para a decisão.

Demora na remoção de servidor com crime agendado levanta questionamentos

O servidor foi finalmente desativado após 16 dias, 18 horas, 29 minutos e 33 segundos da notificação inicial. Essa longa espera para desativar um ambiente que promovia um crime com data marcada demonstra a ineficácia dos mecanismos de resposta em situações de emergência. A demora colocou em risco a vida de animais e permitiu que um planejamento criminoso prosseguisse por um período excessivo.

Os relatórios do Noad foram encaminhados ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). A expectativa é que o material também seja direcionado à Advocacia-Geral da União (AGU), sinalizando que o caso deverá ter desdobramentos em diversas esferas jurídicas e regulatórias. Esse movimento conjunto de órgãos demonstra a seriedade com que as autoridades tratam a responsabilidade das plataformas digitais, especialmente após a promulgação de legislações como o ECA Digital, que impõem novas obrigações para a proteção de menores.

As autoridades buscam assegurar que plataformas digitais, como o Discord, implementem políticas mais rigorosas e eficazes para a moderação de conteúdo e a proteção de seus usuários, em particular os mais vulneráveis. A atuação coordenada desses órgãos visa cobrar maior responsabilidade das empresas de tecnologia na prevenção e no combate a crimes online.