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Cratera de 25 km em Quebec, Canadá, tem origem cósmica confirmada após descoberta no Google Maps

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Nosso planeta é constantemente bombardeado por detritos cósmicos, com cerca de 40.100 toneladas de rochas e poeira extraterrestre adentrando a atmosfera terrestre a cada ano. A vasta maioria desses fragmentos se desintegra completamente antes de tocar o solo, sem deixar qualquer vestígio ou impacto.

No entanto, em raras ocasiões, um corpo celeste de proporções maiores, um vestígio da formação primordial do sistema solar, consegue atravessar e deixar uma marca indelével na superfície terrestre. A famosa cratera de Chicxulub, por exemplo, ligada à catástrofe que eliminou os dinossauros, tem uma extensão impressionante de 150 a 200 quilômetros de diâmetro e alcança cerca de 19 quilômetros de profundidade.

A identificação precisa do local de impacto desse asteroide colossal demorou mais de uma década para ser confirmada, mesmo após a formulação da hipótese inicial. Isso ocorreu porque a formação geológica, com 66 milhões de anos, estava predominantemente escondida sob espessas camadas de rochas e depósitos, com quase metade de sua estrutura repousando sob as águas do Golfo do México.

Descobertas de Meteoritos e a Busca pela Origem da Vida

Muitas outras depressões de impacto, embora existentes e visíveis, só vêm à luz quando indivíduos com um olhar atento conseguem decifrar seus padrões geológicos únicos. Esse foi o caso da cratera Uhaachatik, que teve sua existência atestada recentemente na província de Quebec, no Canadá.

A mais recente identificação de uma cratera de impacto significativa é atribuída a Joël Lapointe, um entusiasta da astronomia. Ele se deparou com a formação circular por acaso, enquanto utilizava o Google Maps para planejar uma viagem de acampamento na região de Côte-Nord. Lapointe notou uma estrutura circular proeminente no meio do Lago Marsal, a cerca de 100 quilômetros ao norte de Magpie, em Quebec.

Lapointe prontamente compartilhou sua descoberta com especialistas, entre eles o geofísico francês Pierre Rochette. O pesquisador avaliou que a topografia da área era “altamente indicativa de um evento de impacto”. Adicionalmente, análises iniciais de rochas coletadas no local indicaram a presença de zircão, um mineral frequentemente encontrado em zonas de colisão meteórica.

Aproximadamente um ano depois, em outubro de 2025, uma equipe de cientistas conseguiu realizar uma expedição ao local para verificar as observações. No terreno, eles confirmaram a existência de sinais inequívocos de um impacto de meteorito, incluindo os chamados cones de fragmentação, que se manifestam como sulcos ou padrões lineares distintos nas superfícies rochosas.

Antigos Impactos Cósmicos e Seus Efeitos Geológicos

A área da cratera também revelou a existência de formações rochosas escarpadas compostas por material fundido, evidenciando o calor extremo e a pressão gigantesca resultantes da violenta colisão do meteoro com o solo. A datação das amostras rochosas coletadas forneceu aos pesquisadores a idade do evento: ele aconteceu há 390 milhões de anos.

Gordon Osinski, um dos participantes da expedição de pesquisa, comentou que sua equipe recebe inúmeras mensagens de pessoas convencidas de terem descoberto novas crateras de impacto. Ele ressaltou que, “Na vasta maioria das vezes, em 99 de cada 100 relatos, a suposição não se confirma. Este é um daqueles casos excepcionais que comprovam a possibilidade real de tais achados.”

A cratera recém-confirmada possui um diâmetro impressionante de aproximadamente 25 quilômetros. Osinski enfatizou que, embora seja comum a descoberta de uma ou duas crateras anualmente em todo o mundo, a identificação de uma estrutura com essa magnitude “é um evento consideravelmente incomum e significativo”.