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O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, revelou nesta terça-feira, 21 de julho de 2026, que a intervenção militar no Irã já consumiu um montante de US$ 37,5 bilhões. A declaração foi feita durante uma sessão tensa no Senado, em meio a protestos e questionamentos sobre um pacote orçamentário republicano de US$ 95 bilhões, que busca destinar fundos para as forças armadas, auxiliar produtores rurais e implementar mudanças nas leis eleitorais, todas consideradas prioridades da atual administração.
Hegseth apresentou a nova projeção de gastos, que superou estimativas anteriores, diante do Comitê de Orçamento do Senado. Sua fala inicial foi interrompida por manifestantes, dias após o Pentágono confirmar a morte de mais três soldados americanos no conflito. Este último incidente elevou para 17 o número total de óbitos e para mais de 100 o de feridos desde o início de julho, acendendo o alerta sobre a escalada da violência.
O chefe da Defesa americana defendeu a proposta de financiamento adicional como um aporte de recursos “urgente e necessário”. Ele enfatizou que, somado à proposta orçamentária de defesa de US$ 1,5 trilhão do presidente Donald Trump, a quantia representa um investimento sem precedentes nas capacidades militares do país. “Sem esses fundos, enfrentaremos déficits críticos”, alertou Hegseth aos membros da comissão, sublinhando a importância da aprovação.
Em contrapartida, a senadora Patty Murray, principal representante democrata no comitê, expressou profunda preocupação em seu discurso de abertura. Ela alertou para o risco de o país se envolver em “outra guerra sem fim”, uma crítica direta à gestão do conflito. “Esta guerra está novamente saindo do controle”, afirmou Murray, ecoando o ceticismo de muitos parlamentares e da opinião pública sobre a estratégia atual.
A senadora lembrou que o presidente Trump “já nos disse mais de 40 vezes que um acordo está próximo e que a guerra terminará em breve”. No entanto, ela criticou a incoerência da situação: “Mas agora, ele está pedindo mais 70 bilhões de dólares — e que simplesmente confiemos nele e que tudo dará certo.” Além de Hegseth, o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, e a secretária de Agricultura, Brooke Rollins, também foram convocados para prestar depoimento, indicando a abrangência do pacote orçamentário.
Antes da audiência, a Casa Branca divulgou um comunicado oficial, solicitando apoio à resolução orçamentária “sem modificações — imediatamente”. Os recursos destinados ao conflito representam a maior fatia da proposta apresentada pelo Partido Republicano, evidenciando a prioridade dada à intervenção militar em um momento de crescentes tensões.
Este novo plano republicano é o último pacote prioritário que o partido espera aprovar antes do recesso parlamentar, preparando o terreno para as eleições de meio de mandato que definirão o controle do Congresso. A proposta inclui US$ 10 bilhões em auxílio para agricultores afetados pelas tarifas impostas por Trump, além de outros US$ 10 bilhões para reformas na legislação eleitoral. Estas últimas podem introduzir novas exigências de identificação para votação, e o mais notável é que nenhum desses gastos adicionais é compensado por cortes orçamentários em outras áreas, o que levanta questionamentos sobre a sustentabilidade fiscal.
Uma pesquisa recente da AP-NORC revelou que a maioria dos americanos continua a desaprovar a condução de Trump em relação ao Irã. A insatisfação é agravada pelo aumento acentuado no custo da gasolina, resultado das tentativas iranianas de limitar o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Ao mesmo tempo, os estoques de munição dos EUA estão diminuindo devido a uma série de ataques com mísseis americanos. Esses desdobramentos contrastam fortemente com a promessa de campanha de Trump de evitar o envolvimento dos Estados Unidos em conflitos militares prolongados, mostrando um cenário complexo e custoso tanto para o tesouro quanto para a imagem do país.