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Cheia Repentina na Fronteira Nepal-China Causa Dezenas de Mortes e Centenas de Desaparecimentos

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Uma torrente avassaladora de água e lama varreu vilarejos na divisa entre Nepal e China em 26 de agosto de 2026, provocando uma tragédia com pelo menos 17 mortos confirmados e centenas de pessoas desaparecidas. As autoridades nepalesas expressaram preocupação de que o número de vítimas fatais possa aumentar consideravelmente à medida que as buscas avançam em meio à devastação.

Várias Pessoas Desaparecidas Após a Inundação

O impacto da enchente repentina se estendeu por ambos os lados da fronteira. No Nepal, o conselho de turismo informou que aproximadamente 400 viajantes estão desaparecidos, incluindo cidadãos de diversas nacionalidades como Índia, Austrália, Holanda, África do Sul, Reino Unido e Malásia. Adicionalmente, sessenta trabalhadores de uma usina hidrelétrica em construção no norte do Nepal também não foram localizados, conforme reportado pela mídia estatal nepalesa.

Do lado chinês, na região autônoma do Tibete, as notícias são igualmente alarmantes. A imprensa estatal da China alertou para a possibilidade de “grandes baixas” após um deslizamento de terra atingir o porto de Gyirong. Em resposta à crise, o líder chinês Xi Jinping solicitou uma mobilização em larga escala para operações de busca e resgate. Equipes de auxílio no Tibete estão recebendo suprimentos essenciais, como barracas, fogões, roupas e cobertores, para apoiar as operações.

O Que Provocou a Devastação na Região

As causas exatas da cheia repentina estão sendo investigadas, com duas teorias principais emergindo. O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shishir Khanal, atribuiu o fenômeno a um terremoto de magnitude 4.4, que teria desencadeado um grande deslizamento de terra. Esse evento teria bloqueado o rio Bhote Koshi, liberando uma poderosa onda de água rio abaixo. A ocorrência de um abalo sísmico de magnitude similar na região foi corroborada pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos.

Por outro lado, Saswata Sanyal, especialista do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado de Montanhas (ICIMOD) em Kathmandu, sugeriu que a inundação máxima ocorreu no rio Lhende Khola, um afluente do Bhote Koshi. Segundo Sanyal, o desastre foi deflagrado por uma avalanche de gelo e rochas de uma geleira no lado nepalês, que represou o rio e, ao ceder, liberou uma onda repentina de água, evidenciando a complexidade dos eventos naturais na região.

Desafios nas Operações de Resgate e Ajuda Humanitária

As operações de resgate continuam intensas, mas enfrentam sérias dificuldades. Helicópteros têm encontrado obstáculos para pousar nas áreas mais impactadas, como Syapru Besi e Timure, no norte do Nepal, devido aos elevados níveis da água. Forças policiais e militares do Nepal estão unidas às equipes de resgate, enquanto o primeiro-ministro Balendra Shah orientou os moradores que vivem ao longo do rio a manterem a cautela e permanecerem alertas.

A Cruz Vermelha, por sua vez, está agindo para apoiar a resposta humanitária. A organização mobilizou uma equipe de emergência com suprimentos de socorro para as áreas atingidas e está pronta para ampliar seu apoio. A entidade também reforçou a importância de as comunidades ficarem atentas e seguirem as instruções oficiais de segurança para minimizar riscos.

Rasuwa: Uma Região Historicamente Afetada por Catástrofes

A municipalidade de Rasuwa, no Nepal, uma das áreas mais atingidas, se estende pelas encostas do Himalaia até a fronteira com a China, com picos que superam os 7.000 metros. Esta região, lar de aproximadamente 50.000 pessoas, possui vilarejos dispersos e é conhecida por abrigar o Parque Nacional de Langtang e o lago alpino sagrado de Gosaikunda. Rasuwa também é estratégica para projetos hidrelétricos, que aproveitam a força de seus rios caudalosos.

A história recente de Rasuwa é marcada por tragédias naturais. Em 2015, a área foi severamente devastada por um terremoto de magnitude 7.8, que resultou na morte de mais de 9.000 pessoas em todo o Nepal e soterrou centenas no Parque Nacional de Langtang. Timure, um assentamento crucial no rio Trishuli e último ponto na estrada para a China, é um importante centro comercial, onde caminhões frequentemente aguardam para atravessar a fronteira com cargas variadas, destacando a vulnerabilidade econômica e social da região a esses eventos.

Ameaça Climática Amplia Vulnerabilidade no Himalaia

A região do Himalaia, frequentemente referida como “o teto do mundo”, possui uma suscetibilidade histórica a cheias repentinas e deslizamentos de terra. Especialistas alertam que a crise climática, impulsionada pela atividade humana, está tornando os eventos climáticos extremos mais frequentes e intensos. Este cenário aumenta a preocupação com a segurança e a resiliência das comunidades montanhosas.

Nos últimos anos, a área tem sido palco de diversos desastres naturais, reforçando a urgência da questão. Em agosto de 2025, uma enchente devastou uma vila montanhosa no norte da Índia, causando mortes e desaparecimentos. Em setembro de 2024, chuvas de monções intensas no Nepal provocaram inundações e deslizamentos, resultando em cerca de 200 óbitos. Outros incidentes notáveis incluem a cheia de um lago glacial na Índia em outubro de 2023, que deixou mais de 100 desaparecidos, e inundações massivas que atingiram a Índia e o Nepal em outubro de 2021, matando pelo menos 150 pessoas, sublinhando a crescente e devastadora frequência desses eventos.