
A montanha-russa X2 do Six Flags Magic Mountain, pode estar envolvida em mais de 100 casos de lesões cerebrais — Foto: Divulgação Crédito: Extra.globo.com
Mais de uma centena de indivíduos relatam ter sofrido lesões cerebrais após utilizarem uma montanha-russa em um parque de diversões na Califórnia, Estados Unidos. As alegações surgem nos últimos dois anos e ganharam destaque após uma investigação expor casos graves, incluindo hemorragias cerebrais, sequelas permanentes e até óbitos associados ao brinquedo. A repercussão levou ao registro de três novas ações judiciais contra a operadora do parque nesta semana, intensificando a pressão sobre a segurança da atração.
A rede Six Flags, responsável pelo parque, enfrenta acusações de conduta negligente. Em declaração recente, o advogado Christopher Bulone afirmou que a empresa “tem apostado deliberadamente com a vida das pessoas”, defendendo que atrações com tal nível de risco não deveriam ser permitidas. A montanha-russa em questão, conhecida como X2 e principal atração do parque Magic Mountain, no sul da Califórnia, atrai visitantes globais com seus assentos que giram 360 graus e quedas vertiginosas que atingem cerca de 130 km/h.
Os relatos de incidentes envolvendo a X2 datam de mais de uma década, mas muitos casos permaneceram sem publicidade até a investigação jornalística recente. Essa apuração revelou mais de doze hospitalizações e pelo menos duas mortes supostamente ligadas ao brinquedo, evidenciando um padrão preocupante de acidentes ao longo do tempo.
Entre os casos mais recentes, duas mulheres foram internadas no mesmo pronto-socorro com apenas seis dias de diferença em julho. Naomi Greer-Wilkinson, de 26 anos, e Pamela Guillen, de 40, desmaiaram após desembarcarem da atração e necessitaram de cirurgias cerebrais urgentes. Profissionais de saúde atribuíram os traumas às forças extremas de aceleração e desaceleração súbita experimentadas durante o percurso da montanha-russa.
Pamela Guillen compartilhou sua experiência, descrevendo a necessidade de reaprender a andar e falar, além de conviver com dores crônicas e o risco constante de convulsões. Naomi Greer-Wilkinson permanece em estado de coma. Em outra denúncia formalizada, o advogado Michael Wilk relatou ter sofrido hemorragia cerebral em fevereiro após andar na X2, resultando em sua incapacidade para o trabalho. “Meu cérebro tem dificuldade em processar as palavras”, disse Wilk, ilustrando o severo comprometimento cognitivo.
Os advogados envolvidos nas ações judiciais afirmam representar mais de uma centena de novas vítimas com lesões cerebrais recentes. Além disso, eles mencionam ter recebido testemunhos de centenas de outros passageiros cujos casos podem estar prescritos ou não possuem histórico médico documentado, sugerindo uma escala ainda maior de incidentes. O advogado Timothy Loranger, por exemplo, já havia representado a família de um jovem que faleceu quatro anos atrás após usar a mesma atração.
Apesar de alertas de especialistas e visitantes ao longo de muitos anos, tanto o parque quanto os órgãos reguladores mantiveram a X2 em funcionamento até 12 de julho. Somente então, a montanha-russa foi fechada, sem que fossem fornecidas explicações oficiais para a decisão. O advogado Gary Dordick salientou que “o Magic Mountain tem conhecimento dos perigos dessa atração há anos”, reforçando a tese de negligência prolongada.
Questionada sobre os detalhes da situação, a Six Flags limitou-se a informar que a “atração permanece fechada neste momento” e que não comenta ações judiciais em curso. Em defesas anteriores, a empresa argumentou que os usuários são avisados sobre os riscos inerentes às atrações e que testes regulares comprovam que as forças da X2 não causam traumatismos em quem segue as instruções de segurança. A Divisão de Segurança e Saúde Ocupacional da Califórnia, por sua vez, apenas confirmou que uma inspeção está em andamento, sem dar mais detalhes sobre o futuro da famosa montanha-russa.