O município de Campos Novos, situado no Meio-Oeste catarinense, registrou um desempenho notável no setor agrícola, alcançando a marca expressiva de R$ 763 milhões em valor de produção em 2025. Este resultado representa um crescimento de 21,6% em relação ao período anterior, um índice que superou a média de expansão do estado de Santa Catarina.
A performance robusta da cidade foi impulsionada principalmente pela alta valorização e volume de três culturas essenciais para a economia brasileira: soja, milho e trigo. O sucesso reflete a capacidade de adaptação e investimento dos produtores locais, além de condições de mercado favoráveis que beneficiaram as commodities agrícolas.
Este avanço demonstra a pujança do agronegócio na região, consolidando Campos Novos como um polo de referência na produção de grãos e contribuindo significativamente para a balança comercial e o desenvolvimento socioeconômico de Santa Catarina.
A ascensão de Campos Novos no cenário agrícola catarinense não é um fenômeno isolado, mas o resultado de um conjunto de fatores que se alinharam para otimizar a produção de grãos. A região, conhecida por seu clima propício e solos férteis, tem investido continuamente em tecnologias e práticas de manejo que elevam a produtividade e a qualidade das lavouras.
A predominância da soja, do milho e do trigo na composição do valor total gerado sublinha a importância estratégica dessas culturas para a economia local. A valorização desses produtos no mercado internacional, aliada à demanda interna consistente, criou um ambiente favorável para o aumento da rentabilidade dos agricultores e o consequente crescimento do setor.
A soja continua a ser a principal locomotiva do agronegócio brasileiro e, em Campos Novos, sua relevância não é diferente. A oleaginosa é uma das commodities mais comercializadas globalmente, utilizada na produção de óleo vegetal, ração animal e, cada vez mais, em biocombustíveis. Sua cotação é influenciada por fatores complexos, como a demanda da China, as condições climáticas nas principais regiões produtoras (América do Sul e Estados Unidos) e as flutuações do câmbio.
Na região de Campos Novos, os produtores têm adotado variedades de sementes geneticamente modificadas que oferecem maior resistência a pragas e doenças, além de suportarem melhor as variações climáticas. A implementação de técnicas de plantio direto e rotação de culturas também contribui para a sustentabilidade e a manutenção da fertilidade do solo, garantindo colheitas mais fartas e com menor impacto ambiental. O investimento em maquinário moderno e sistemas de irrigação complementa esse cenário, otimizando o uso dos recursos e minimizando perdas.
O milho desempenha um papel crucial na economia de Santa Catarina, sendo a base da alimentação para as cadeias de aves e suínos, setores nos quais o estado é um dos maiores produtores e exportadores do Brasil. Em Campos Novos, a produção de milho atende tanto à demanda regional quanto ao mercado nacional, contribuindo para a segurança alimentar e a competitividade da agroindústria.
A cultura do milho, muitas vezes cultivada em safras de verão e safrinha, beneficia-se das mesmas condições favoráveis de solo e clima que impulsionam a soja. A integração lavoura-pecuária tem se mostrado uma estratégia eficaz, onde o milho serve não apenas para grãos, mas também para silagem, otimizando o uso da terra e diversificando as fontes de renda dos produtores rurais.
Historicamente, o Brasil é importador de trigo, o que torna a produção nacional um componente estratégico para a redução da dependência externa e a estabilidade dos preços dos derivados, como o pão. Campos Novos tem se destacado na produção tritícola, aproveitando as janelas climáticas adequadas para o cultivo de inverno.
A expansão da área cultivada com trigo e a adoção de novas cultivares adaptadas às condições locais são passos importantes para fortalecer a cadeia produtiva. O investimento em pesquisa e desenvolvimento de sementes mais produtivas e resistentes a doenças é fundamental para garantir a rentabilidade e a sustentabilidade da cultura, incentivando os agricultores a manterem o trigo em sua rotação de culturas.
O sucesso agrícola de Campos Novos em 2025 pode ser atribuído a uma convergência de fatores. Primeiramente, as condições climáticas favoráveis desempenharam um papel essencial, com volumes de chuva bem distribuídos e temperaturas adequadas durante os ciclos de desenvolvimento das culturas, resultando em altas produtividades.
Em segundo lugar, a constante modernização do setor, com a adoção de novas tecnologias, sementes de alto potencial genético e técnicas de agricultura de precisão, permitiu aos produtores otimizar o uso de insumos e maximizar a eficiência no campo. A capacitação técnica dos agricultores e a disseminação de boas práticas agrícolas também foram cruciais para o aumento da produtividade.
Além disso, a valorização das commodities no mercado global e a taxa de câmbio favorável às exportações impulsionaram a receita dos produtores, incentivando investimentos e a expansão das áreas cultivadas. A demanda crescente por alimentos e insumos para a indústria, tanto no Brasil quanto no exterior, solidificou a posição estratégica de Campos Novos.
Por fim, a organização e o associativismo dos produtores, muitas vezes por meio de cooperativas, facilitaram o acesso a crédito, a compra de insumos em maior escala e a comercialização dos produtos, fortalecendo a cadeia produtiva local e aumentando o poder de negociação no mercado.
A marca de 21,6% de crescimento no valor da produção agrícola em Campos Novos em 2025 é particularmente relevante ao ser comparada com a média de Santa Catarina. O estado, conhecido por sua diversificação agrícola e forte presença na produção de proteína animal, também experimentou um crescimento no agronegócio, mas em um ritmo inferior ao do município.
Essa superação destaca a resiliência e a capacidade de Campos Novos de capitalizar as oportunidades de mercado e as inovações tecnológicas de forma mais eficiente. A concentração em culturas de alto valor agregado e a gestão estratégica das propriedades rurais contribuem para que o município se posicione como um motor de crescimento para o setor primário catarinense.
O boom agrícola em Campos Novos vai além dos números da produção, gerando um impacto socioeconômico significativo para toda a região. O aumento da atividade no campo se traduz em mais empregos diretos e indiretos, impulsionando o comércio local, o setor de serviços e a indústria ligada ao agronegócio, como a de máquinas agrícolas e processamento de alimentos.
A maior circulação de riqueza melhora a qualidade de vida da população, com investimentos em infraestrutura, educação e saúde. O fortalecimento do agronegócio local também contribui para a fixação do homem no campo, combatendo o êxodo rural e garantindo a sucessão familiar nas propriedades.
Apesar do cenário positivo, o setor agrícola de Campos Novos enfrenta desafios contínuos que demandam atenção e planejamento estratégico. A volatilidade dos preços das commodities no mercado internacional, os custos crescentes dos insumos agrícolas, como fertilizantes e defensivos, e as incertezas climáticas representam riscos significativos para a sustentabilidade da produção. A dependência de um número limitado de culturas, embora lucrativa, expõe os produtores a flutuações de mercado e eventos climáticos adversos específicos. É fundamental que a região continue a investir em pesquisa para o desenvolvimento de novas cultivares, mais resistentes e adaptadas, e em sistemas de produção que promovam a resiliência e a diversificação das atividades agrícolas.
A busca por práticas agrícolas mais sustentáveis, como a redução do uso de agrotóxicos e a conservação dos recursos hídricos, é uma tendência global e uma necessidade para o futuro. A certificação de produtos e a agregação de valor através do processamento local podem abrir novos mercados e garantir maior rentabilidade aos agricultores. O papel das políticas públicas e do apoio técnico é crucial para que Campos Novos mantenha sua trajetória de sucesso, incentivando a inovação, a pesquisa e a adoção de modelos de produção que aliem produtividade e responsabilidade ambiental e social, garantindo um futuro próspero para o agronegócio da região.