
Cadela teve mal estar depois de ingerir cannabis — Foto: Equipe de Resgate de Montanha de Lochaber Crédito: Extra.globo.com
Uma aventura nas montanhas escocesas transformou-se em um momento de pânico e desespero para uma tutora e sua cadela labrador, Tokyo. O animal de estimação sofreu uma grave intoxicação depois de ingerir restos de cannabis deixados no percurso que leva ao cume do Ben Nevis, a montanha mais alta da Escócia. O incidente, ocorrido no último final de semana, mobilizou equipes de resgate e acendeu um alerta sobre os perigos ocultos em trilhas naturais.
Christina Bluhme, moradora de Esher, Surrey, e adestradora profissional de cães, estava acompanhando Tokyo na escalada quando a cadela começou a manifestar sinais preocupantes. Após a ingestão da substância, a labrador preta apresentou tremores incontroláveis, perda da capacidade de movimentar as pernas e desmaios recorrentes. A situação se agravou rapidamente, levando Christina a temer pela vida de sua companheira.
Em um relato emocionado nas redes sociais, a tutora descreveu a angústia: “Ela rapidamente perdeu o uso das pernas, perdeu a consciência algumas vezes, e eu realmente pensei que ia perdê-la”. Mesmo com vasta experiência no cuidado de animais, a imprevisibilidade da emergência a deixou em choque, evidenciando que nem todo preparo profissional pode prever cenários tão incomuns.
Diante da deterioração do estado de saúde de Tokyo, Christina Bluhme não hesitou em pedir auxílio. A equipe de resgate de montanha de Lochaber foi acionada e agiu prontamente. Os socorristas encontraram a cadela inconsciente a impressionantes 1.345 metros acima do nível do mar, uma altitude que dificultaria enormemente qualquer tentativa de transporte manual.
A ajuda especializada foi decisiva para a segurança de Tokyo e de sua tutora. Christina expressou profunda gratidão, afirmando que “sem a incrível equipe de resgate de montanha de Lochaber, simplesmente não haveria como eu tê-la retirado da montanha em segurança”. Ela destacou a impossibilidade de carregar sozinha um labrador de 25 kg montanha abaixo, especialmente em condições de emergência.
Graças à rápida intervenção e ao atendimento veterinário subsequente, Tokyo se recuperou completamente e já está fora de perigo. O susto, porém, serviu como um poderoso lembrete dos riscos que espreitam em ambientes naturais e levou Christina Bluhme a emitir um importante aviso para outros proprietários de cães.
A adestradora espera que a experiência de Tokyo possa prevenir futuros incidentes. “Se partilhar a história de Tóquio ajudar um dono de cão a reconhecer os sinais de envenenamento, a obter ajuda veterinária rapidamente ou simplesmente a ter um pouco mais consciente dos perigos escondidos que por vezes podem ser encontrados ao ar livre, então algo positivo terá vindo de uma experiência verdadeiramente desoladora”, pontuou Christina.
A ingestão de cannabis por animais de estimação, especialmente cães, é uma preocupação crescente. O tetrahidrocanabinol (THC), principal composto psicoativo da planta, é tóxico para os cães, que são mais sensíveis aos seus efeitos do que os humanos. Os sintomas de intoxicação podem variar de leves a graves, dependendo da quantidade consumida e da concentração de THC.
Veterinários alertam que, além dos tremores e desorientação, a intoxicação por THC em cães pode causar letargia, vômitos, diarreia, salivação excessiva, pupilas dilatadas, e em casos mais severos, convulsões, coma e até mesmo a morte. A crescente disponibilidade da substância, seja por legalização ou uso recreativo, aumenta a probabilidade de acidentes como o de Tokyo, reforçando a necessidade de tutores estarem vigilantes e de descartar resíduos de forma responsável.