
Neste domingo (14), as forças armadas israelenses anunciaram ter conduzido operações militares nos arredores de Beirute, capital do Líbano, mirando instalações ligadas ao grupo Hezbollah. Esta ação ocorre em um momento delicado, enquanto intensas negociações diplomáticas buscam intermediar um cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã, evidenciando uma escalada de tensões que pode impactar o frágil processo de paz.
Testemunhas na capital libanesa relataram a ascensão de colunas de fumaça após os incidentes, confirmando a dimensão dos ataques. O gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, justificou as ofensivas como uma resposta direta aos recentes lançamentos de projéteis do Hezbollah contra o norte de Israel, que teriam sido filmados pelas tropas de Israel mostrando explosões e grandes nuvens de fumaça.
A investida aérea marca a segunda vez em uma semana que Israel atinge os subúrbios de Beirute, configurando um dos mais significativos picos de confronto desde o início de um precário cessar-fogo estabelecido em 7 de abril. A região do Oriente Médio tem sido palco de uma série de retaliações, incluindo um ataque do Irã a Israel, seguido por novos bombardeios israelenses em território iraniano no dia subsequente.
Essa sequência de agressões mútuas tem gerado grande preocupação internacional, dada a proximidade de um possível entendimento entre Washington e Teerã. Os ataques israelenses, neste contexto, sublinham a complexidade da geopolítica regional e a dificuldade de consolidar a paz enquanto atores locais continuam a agir de forma independente em resposta a ameaças percebidas.
Paralelamente à escalada militar, os esforços diplomáticos para um acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã ganharam novo fôlego. Representantes do Catar viajaram a Teerã neste domingo com a esperança de finalizar o pacto, conforme revelaram duas autoridades regionais que preferiram o anonimato.
Há um otimismo cauteloso de que as duas nações estão próximas de um consenso que poderia pôr fim às hostilidades, que já custaram milhares de vidas, e permitir a reabertura do Estreito de Ormuz. A interdição dessa rota marítima vital desestabilizou severamente os mercados globais, impactando o escoamento de petróleo, gás natural e produtos derivados, como fertilizantes, e gerando abalos na economia mundial.
O presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, haviam manifestado no sábado a expectativa de que o acordo seria assinado neste domingo. Contudo, Esmail Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, sugeriu que a formalização poderia levar “alguns dias”. Trump garantiu que a liberação do Estreito de Ormuz ocorreria imediatamente após a concretização do pacto, que deve ser assinado eletronicamente, sem uma cerimônia presidencial presencial.
Apesar do avanço das negociações, o conteúdo do acordo atual representa uma fonte de grande frustração para o governo de Israel. O país se encontra à margem das discussões, que foram conduzidas majoritariamente pelo Paquistão e outras nações. Para Israel, a exclusão da mesa de negociações sobre um acordo que afeta diretamente sua segurança é um ponto crítico de insatisfação.
O Irã, por sua vez, condiciona o pacto de cessar-fogo à interrupção dos combates no Líbano e ao desbloqueio de bilhões de dólares em ativos financeiros congelados. Essas exigências reforçam a complexa rede de interesses e demandas que permeiam o conflito regional e as tratativas de paz.
O entendimento em discussão não aborda as questões mais espinhosas entre os Estados Unidos e o Irã, como o controverso programa nuclear iraniano ou a liberação total dos ativos financeiros congelados. Em vez disso, o acordo propõe uma estrutura de sessenta dias para aprofundar as discussões técnicas sobre esses temas cruciais.
Autoridades paquistanesas e regionais, sob anonimato, detalharam os meses de esforço do Paquistão, que liderou as tratativas e atuou para evitar o colapso do diálogo em diversas ocasiões. Sob os termos debatidos, EUA e Israel aparentemente não conseguiram atingir seus objetivos iniciais de desmantelar os programas nucleares e de mísseis do Irã, nem de encerrar o apoio de Teerã a grupos aliados na região, deixando esses pontos sensíveis em aberto para futuras negociações.
Críticos dentro do Partido Republicano de Donald Trump expressaram desaprovação ao pacto. Alguns parlamentares argumentam que a proposta não aprimora os termos do acordo nuclear de 2015, do qual Trump retirou os EUA, e que ele ainda considera “ruim”. A impopularidade da guerra e o desgaste político às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato (midterms) adicionam pressão sobre o presidente.
Espera-se que Trump aborde a remoção de minas no Estreito de Ormuz durante a cúpula do G7, que começa nesta segunda-feira. A liberação dessa rota marítima, vital para o comércio global, é uma prioridade. O programa nuclear e o urânio altamente enriquecido do Irã continuam sendo o epicentro das tensões com os EUA e Israel, gerando grande preocupação para a comunidade internacional.
Em suas redes sociais, Trump afirmou que, “quando tudo estiver calmo”, os Estados Unidos atuariam para “diluir e destruir” o urânio enriquecido iraniano. Dados da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) indicam que o Irã possui 440,9 quilos de urânio enriquecido a até 60% de pureza, um nível tecnicamente próximo dos 90% necessários para a fabricação de armas nucleares. O Irã, que reitera que seu programa nuclear tem fins pacíficos, não se comprometeu publicamente a abrir mão desse urânio, que estaria armazenado em três instalações subterrâneas danificadas por ataques americanos no ano passado.