
Daniel Navarro e Sandra Covone morreram após avalanche no Peru — Foto: Reprodução/Instagram Crédito: Extra.globo.com
Uma avalanche fatal atingiu dois montanhistas experientes na última quarta-feira (17 de junho) enquanto eles escalavam o Nevado Tocllaraju, um dos picos mais notórios e perigosos da Cordilheira Branca, no Peru. O incidente resultou na morte imediata do italiano Daniel Navarro, de 45 anos, e da canadense Sandra Covone, de 33, chocando a comunidade global de alpinismo.
O casal era conhecido por suas habilidades e preparo para enfrentar desafios extremos. Eles estavam acompanhados por um guia local, Florentino Caldua, que conseguiu escapar por pouco da tragédia e foi resgatado em segurança horas mais tarde.
O Nevado Tocllaraju, com seus 6.034 metros de altitude, faz parte da imponente Cordilheira Branca, reconhecida mundialmente como a cadeia de montanhas tropicais mais elevada do planeta. Esta região andina é célebre por suas rotas de escalada de alta dificuldade e por apresentar riscos significativos, incluindo avalanches frequentes e mudanças climáticas abruptas, tornando-a um destino para alpinistas altamente qualificados.
A natureza imprevisível do clima e a formação geológica do Tocllaraju, em particular, contribuem para sua reputação de montanha perigosa, exigindo técnica apurada e extrema cautela de quem se aventura em suas encostas. Mesmo para os mais experientes, as condições podem mudar drasticamente em questão de horas, elevando o risco de acidentes como o ocorrido.
Daniel Navarro e Sandra Covone eram figuras conhecidas e respeitadas no universo do montanhismo, ambos portadores de vasta experiência em ascensões desafiadoras. O casal frequentemente compartilhava suas jornadas, e nas semanas anteriores ao trágico evento, haviam completado com sucesso outras escaladas na mesma região, como o Nevado Mateo, em 7 de junho, e o Nevado Vallunaraju, em 9 de junho, demonstrando seu elevado nível técnico e preparo físico.
A morte de alpinistas tão experientes ressalta a severidade dos perigos inerentes à alta montanha, onde mesmo a perícia e o conhecimento aprofundado do terreno não podem eliminar completamente os riscos impostos por fenômenos naturais como as avalanches.
Florentino Caldua, um experiente guia local que acompanhava Navarro e Covone, conseguiu escapar por um triz da fúria da avalanche. Após o incidente, Caldua foi resgatado horas mais tarde por uma equipe especializada em operações de montanha, sendo encontrado em condição estável, embora abalado pelo ocorrido.
A expertise de guias locais é fundamental em regiões como a Cordilheira Branca, onde o conhecimento do terreno e das condições climáticas pode ser decisivo para a segurança dos expedicionários.
As equipes de resgate enfrentam condições extremamente adversas e perigosas para tentar recuperar os corpos dos montanhistas. A missão é dificultada pela instabilidade da neve, pela presença de rochas irregulares e por densas camadas de gelo, conforme alertou Porfirio Cacha Macedo, presidente da Associação de Guias de Montanha de Áncash.
Ele destacou a “complexidade excepcional” da operação, que exige cautela máxima para a segurança dos socorristas. As condições climáticas extremas e o terreno traiçoeiro tornam cada passo do resgate um desafio, prolongando o esforço para trazer os corpos de volta.