
Anastasiaa Berezovska, que se disfarçou de homem, é apontada como autora de inédito atentado em Mônaco — Foto: Reprodução; AFP Crédito: Extra.globo.com
Um atentado a bomba sem precedentes abalou o principado de Mônaco no início desta semana, tendo como figura central uma mulher que, disfarçada de homem, é agora o foco de uma caçada internacional. A ucraniana Anastasiaa Berezovska, de 39 anos, é apontada como a responsável pela explosão que feriu gravemente o empresário Vadym Yermolaiev e outras duas pessoas.
Uma explosão violenta marcou a noite de segunda-feira (29/6) em Mônaco, quando um artefato detonou na entrada de um luxuoso edifício. O ataque deixou o empresário Vadym Yermolaiev ferido, ao lado de Anna Nasobina, de 46 anos, que, diferentemente das informações iniciais que a apontavam como esposa do magnata, seria sua companheira. Nasobina sofreu ferimentos gravíssimos, resultando na perda de ambas as pernas.
Um adolescente de 13 anos, supostamente filho do casal, também ficou ferido durante o incidente. A agência France Presse informou que o dispositivo explosivo continha elementos como parafusos e esferas metálicas, aumentando seu poder destrutivo.
As investigações rapidamente levaram à identificação de Anastasiaa Berezovska como a principal suspeita do ataque. Com 39 anos, a mulher ucraniana é agora objeto de um Alerta Vermelho emitido pela Interpol, com acusações que incluem tentativa de homicídio. Conforme a descrição da Interpol, Anastasiaa possui uma tatuagem de cobra que se estende do ombro ao cotovelo em um dos braços.
O jornal “Le Parisien” destacou que ela é conhecida por manter conexões com o crime organizado. Embora se acreditasse que residisse em Frankfurt, na Alemanha, buscas policiais no endereço indicado não a encontraram. Autoridades de Mônaco indicaram que a autora do atentado teria fugido do principado a pé após a explosão.
O alvo do atentado, Vadym Yermolaiev, é um multimilionário ucraniano, natural de Dnipro e residente em Mônaco, cujo perfil é marcado por uma série de controvérsias e complexas relações geopolíticas. Desde dezembro de 2023, Yermolaiev foi submetido a sanções impostas por Kiev, devido a supostas atividades no setor de bebidas alcoólicas na Crimeia, território que se encontra sob ocupação russa. Essa situação sugere possíveis laços comerciais que contrariam os interesses ucranianos, conforme reportado pela France24.
Antigo integrante da lista de homens mais ricos da Ucrânia, com atuação nos setores imobiliário, industrial e agrícola, o empresário renunciou à sua cidadania ucraniana em 2017, optando por se tornar cidadão de Chipre, de acordo com a “Forbes”. Meios de comunicação ucranianos, como o Ukrainska Pravda, mencionam que Yermolaiev possuía relações com Moscou, e fontes ocidentais apontam que ele teria mantido seus negócios na Crimeia após a ocupação russa, colaborando com os interesses de Moscou. Este contexto de negócios em regiões sensíveis e sanções adiciona uma camada de complexidade à motivação do ataque.
A família de Vadym Yermolaiev também enfrenta desafios legais significativos. Artur Yermolaiev, filho mais velho do empresário, foi detido em Chipre no ano passado, acusado de orquestrar esquemas de “call centers” fraudulentos de larga escala, que tinham como alvo cidadãos europeus. A informação foi divulgada pelo jornal “Ukrainska Pravda”, revelando mais um aspecto da intrincada rede de relações e atividades que circundam o magnata e seus familiares.