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A Apple instruiu seus fornecedores a diminuir as remessas de peças destinadas aos modelos iPhone 18 Pro e iPhone 18 Pro Max em um percentual que varia de 15% a 20%, com impacto previsto para outubro de 2026. A decisão surge após a gigante de tecnologia observar um desempenho de vendas inferior às projeções iniciais, atribuído principalmente ao aumento dos custos dos aparelhos no varejo.
A notícia da desaceleração na produção repercutiu rapidamente no mercado financeiro, levando a uma queda nas ações da Apple. No pré-mercado de Nova York, nesta sexta-feira (9), os papéis da empresa registraram desvalorização entre 1,6% e 1,9%, refletindo a preocupação dos investidores. Analistas do banco UBS destacaram em um relatório que a reação dos consumidores aos novos patamares de preço é um ponto de alerta: “A diminuição dos tempos de espera, mesmo com uma oferta estável, combinada com o risco da elasticidade da demanda por conta dos recentes aumentos de preço, é cada vez mais uma preocupação para nós”, afirmaram, sinalizando um desafio na cadeia de suprimentos e na aceitação do mercado.
O principal catalisador para a revisão nos pedidos de componentes reside na elevação dos custos de produção, especialmente no setor de semicondutores. Com a expansão vertiginosa de grandes centros de dados globais, impulsionada pela crescente demanda por serviços de inteligência artificial, a indústria de chips tem priorizado a fabricação de módulos de memória de alta performance para servidores corporativos. Essa realocação de capacidade produtiva gerou uma escassez de componentes essenciais e um consequente aumento nos preços das peças fundamentais para smartphones de ponta, impactando diretamente o valor final dos dispositivos para o consumidor.
Diante da impossibilidade de absorver a inflação no segmento de microeletrônica, a direção da companhia optou por reajustar os preços de lançamento em comparação com a geração anterior dos iPhones. O modelo de entrada da série profissional teve seu custo elevado em US$ 100, atingindo US$ 1.199, enquanto a versão com tela ampliada foi comercializada por US$ 1.299.
A escalada dos valores influenciou o comportamento de compra dos clientes logo nas semanas iniciais de disponibilidade dos novos smartphones. Os consumidores exibiram maior cautela frente aos preços revistos, resultando em volumes de estoque superiores ao previsto nos centros de distribuição. Essa situação forçou a fábrica da Apple em Cupertino, Califórnia, a frear as encomendas para as linhas de montagem.
A questão da elevação dos preços de semicondutores não é novidade para a mais recente linha de celulares. Em junho de 2026, a Apple já havia implementado aumentos nos valores de venda de seu tablet iPad e dos computadores MacBook. Na ocasião, a empresa justificou a medida pela inviabilidade de conter os repasses de custos, novamente atribuídos à intensa demanda por memória em data centers voltados ao processamento de inteligência artificial.
A pressão sobre os custos de suprimentos de armazenamento e memória persistiu ao longo de todo o terceiro trimestre, desafiando o planejamento orçamentário para os lançamentos de telefonia móvel. Como os módulos de memória são responsáveis por guardar as instruções vitais para o funcionamento dos processadores, a performance prometida nos materiais de marketing dos aparelhos depende crucialmente dessa tecnologia, tornando seu custo um fator decisivo para a rentabilidade da Apple.
Além da barreira imposta pelo preço final, o desempenho comercial dos novos dispositivos foi moldado por uma alteração significativa no cronograma de lançamentos da fabricante. Em setembro de 2026, o evento oficial da marca apresentou exclusivamente as edições de ponta, iPhone 18 Pro e iPhone 18 Pro Max, junto com a estreia do primeiro smartphone dobrável da empresa, o iPhone Duo.
Ao contrário dos anos anteriores, as versões padrão de entrada, como o iPhone 18 e o iPhone Air, não foram disponibilizadas no mercado no mesmo mês dos modelos avançados. A companhia optou por adiar o lançamento desses aparelhos mais acessíveis para o início de 2027, com uma data estimada para 1º de janeiro de 2027, concentrando toda a demanda inicial nos dispositivos mais caros de seu portfólio.
A Apple não respondeu imediatamente aos pedidos de informações e, como de costume, não divulga publicamente os volumes de produção ou eventuais cortes nas encomendas a seus fornecedores.