
App Store – ymgerman/ Istockphoto.com Crédito: Mixvale.com.br
A Apple anunciou a flexibilização de seu sistema operacional iOS no Brasil, permitindo que usuários de iPhone instalem aplicativos de plataformas de terceiros e realizem pagamentos diretamente dentro dos apps por métodos que não sejam os da própria empresa. A medida representa uma mudança significativa na estratégia global da gigante de tecnologia, que tradicionalmente mantém um ecossistema mais fechado.
Essa importante alteração é resultado de uma recente determinação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A agência reguladora brasileira iniciou uma investigação sobre as práticas da companhia em 2022, após uma denúncia formal apresentada pelo Mercado Livre, que questionava as políticas da Apple tanto no Brasil quanto no México.
Em um comunicado oficial, a Apple explicou que as modificações visam oferecer aos desenvolvedores novas vias para a distribuição de seus softwares em mercados alternativos e para o processamento de transações de bens e serviços digitais, sem a exigência de utilizar o sistema de compras interno da empresa. A companhia californiana ressaltou ter implementado esforços para atenuar os riscos adicionais de privacidade e segurança que podem surgir com essas mudanças, buscando preservar a experiência de uso mais segura para os consumidores brasileiros.
A empresa já havia atualizado seu Contrato de Licença do Apple Developer Program para integrar essas novidades. Todos os participantes do programa deverão aceitar a versão mais recente até o dia 6 de julho. Este acordo engloba a distribuição alternativa de aplicativos, a possibilidade de pagamentos externos e a introdução da Core Technology Commission (CTC), um modelo de taxa que a Apple já havia estabelecido ao abrir o iOS na União Europeia. A empresa também disponibilizou uma página detalhando as adaptações específicas para o iOS no Brasil, destacando o precedente europeu como um marco fundamental na abertura de seu ecossistema, algo antes considerado improvável para a política de controle da plataforma.
O prazo estipulado pelo Cade para que a Apple implementasse essas adequações estava se esgotando. Além disso, já existiam sinais concretos dessa abertura na versão beta do iOS 26.5, incluindo uma nova funcionalidade que permitirá aos usuários selecionar uma loja padrão diferente da App Store para baixar aplicativos em seus iPhones.
As duas modificações mais impactantes para os usuários de dispositivos iOS no Brasil são as seguintes, prometendo maior liberdade e opções de escolha:
É importante destacar que a versão em português do comunicado de imprensa da Apple informou incorretamente que essas novidades seriam liberadas “a partir de hoje como parte do lançamento do iOS 26.2”, enquanto a versão atual do sistema é a 26.5. O comunicado em inglês, por sua vez, aponta corretamente para a versão 26.5, sugerindo que a ativação completa das funcionalidades pode ocorrer remotamente.
Assim como foi implementado na União Europeia, os desenvolvedores que escolherem distribuir seus aplicativos por canais alternativos no Brasil deverão aderir a termos distintos do Apple Developer Program, impactando diretamente seus modelos de negócios.
A Apple continuará a aplicar comissões apenas sobre a comercialização de bens e serviços digitais. As novas condições afetam os seguintes aspectos, conforme detalhado pela própria corporação:
Em seu comunicado à imprensa, seguindo o padrão adotado na União Europeia, a Apple reiterou em várias ocasiões os potenciais riscos e incertezas para os consumidores, incluindo crianças e adolescentes, que essas mudanças poderiam gerar. A empresa afirmou ter colaborado com as autoridades brasileiras para manter medidas de proteção, como a proibição de links para transações em aplicativos infantis e a exigência de controle parental em apps destinados a menores de 18 anos.
Em diversos pontos, a Apple sustenta com razão que a App Store e seus sistemas integrados oferecem um ambiente seguro e confiável para os usuários, destacando a complexidade de manter esse padrão de segurança com a abertura para plataformas e métodos de pagamento externos.