Um levantamento detalhado conduzido pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), com base em dados fornecidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), revelou um panorama significativo sobre o perfil dos 404 postulantes a uma cadeira na Assembleia para as eleições de 2026. Os resultados indicam uma forte tendência de renovação no cenário político estadual, com uma expressiva parcela de candidatos sem experiência prévia em cargos eletivos.
A pesquisa inédita aponta que mais da metade desses concorrentes nunca foram eleitos para qualquer cargo. Além disso, um grupo ainda mais específico, composto por 229 indivíduos, jamais ocupou qualquer tipo de mandato, seja em nível municipal, estadual ou federal. Este cenário sugere que as próximas eleições podem ser marcadas por uma significativa entrada de novos rostos na política catarinense.
A relevância desses dados reside na compreensão das dinâmicas eleitorais e das expectativas do eleitorado, que frequentemente busca por alternativas e novas abordagens na representação política. A presença massiva de candidatos sem histórico de mandatos anteriores pode influenciar diretamente as estratégias de campanha e o debate público.
Os números apresentados pelo estudo da Alesc são claros: mais de 50% dos nomes que disputarão as vagas de deputado estadual em Santa Catarina nunca conquistaram uma eleição. Este dado engloba tanto aqueles que já tentaram a sorte nas urnas em pleitos passados, mas não obtiveram sucesso, quanto os que se lançam pela primeira vez no processo eleitoral.
Dentro desse grupo, a análise aprofundou-se, identificando que 229 candidatos não possuem em seu currículo político nenhuma passagem por cargos eletivos. Isso significa que estes indivíduos não apenas nunca foram eleitos, mas também nunca exerceram as funções inerentes a um mandato, seja como vereador, prefeito, deputado (estadual ou federal) ou senador, o que representa um desafio e uma oportunidade para o processo democrático.
A alta proporção de candidatos sem experiência em mandatos reflete uma busca contínua por renovação na esfera política, um fenômeno observado em diversas regiões do Brasil. Eleitores muitas vezes expressam o desejo de ver pessoas com diferentes trajetórias e ideias frescas assumirem posições de poder, na esperança de que isso possa levar a uma governança mais eficiente e alinhada às demandas contemporâneas.
Essa tendência pode ser impulsionada por uma série de fatores, incluindo a desilusão com o modelo político tradicional, o surgimento de novas lideranças comunitárias ou setoriais, e a própria dinâmica dos partidos, que buscam ampliar suas bases e oxigenar seus quadros. Para os partidos, apresentar novos nomes pode ser uma estratégia para captar votos de eleitores que anseiam por mudanças e que se mostram céticos em relação aos políticos de carreira.
O papel de um deputado estadual é multifacetado e de suma importância para a gestão e fiscalização no âmbito de cada unidade federativa. Esses parlamentares são responsáveis por criar, debater e votar leis que afetam diretamente a vida dos cidadãos, desde questões orçamentárias e tributárias até políticas públicas em áreas como saúde, educação e segurança.
Além da função legislativa, os deputados estaduais têm o dever de fiscalizar as ações do Poder Executivo, acompanhando a aplicação dos recursos públicos e garantindo a transparência na administração. Eles também atuam como representantes de suas bases eleitorais, levando as demandas e necessidades de suas regiões para o plenário da Assembleia. A complexidade dessas atribuições exige não apenas conhecimento técnico, mas também capacidade de articulação e compreensão das dinâmicas políticas e sociais do estado, o que torna a discussão sobre a experiência dos candidatos ainda mais pertinente.
Para os candidatos que buscam sua primeira eleição, os desafios são consideráveis. A construção de uma imagem pública, a captação de recursos para a campanha e a compreensão das intrincadas regras eleitorais e parlamentares exigem um esforço extra. Muitos precisam superar a barreira do desconhecimento do eleitorado e competir com nomes já estabelecidos, que contam com maior visibilidade e estruturas de campanha mais robustas. No entanto, a falta de histórico político pode ser um trunfo, permitindo-lhes apresentar-se como outsiders, livres de vícios e compromissos antigos, o que atrai eleitores descontentes com o status quo.
Já os candidatos com experiência em mandatos anteriores enfrentam o desafio de justificar suas ações passadas e convencer o eleitor de que ainda têm propostas relevantes e capacidade de inovação. Eles precisam lidar com o desgaste natural do tempo no poder e, por vezes, com a cobrança por resultados que nem sempre são imediatos ou facilmente perceptíveis. Contudo, sua experiência prévia lhes confere uma vantagem em termos de conhecimento do funcionamento da máquina pública, rede de contatos e reconhecimento do nome, fatores que podem ser decisivos em uma disputa eleitoral acirrada.
Diante de um cenário com tantos candidatos, sendo uma parcela significativa de novatos, o eleitor de Santa Catarina tem um papel crucial na qualificação da próxima legislatura. A escolha não deve se basear apenas na popularidade ou na promessa de mudança, mas em uma análise aprofundada das propostas e do perfil de cada um. É fundamental que os cidadãos se informem sobre o histórico dos candidatos, suas ideias para o estado e sua capacidade de representação.
A decisão informada passa por uma avaliação criteriosa que pode incluir diversos aspectos. A busca por informações sobre a trajetória profissional, o engajamento comunitário e a clareza das plataformas de campanha são passos essenciais para um voto consciente e que realmente contribua para o avanço de Santa Catarina. A democracia se fortalece quando o eleitor assume sua responsabilidade na escolha de seus representantes.
A iniciativa da Assembleia Legislativa de Santa Catarina em realizar este mapeamento sublinha a importância da transparência e do acesso à informação no processo eleitoral. Ao consolidar dados do TSE, a Alesc oferece à sociedade um instrumento valioso para conhecer melhor quem são os indivíduos que pleiteiam um cargo público e qual é a bagagem que trazem para a disputa.
Esses estudos contribuem para um debate mais qualificado, permitindo que eleitores, veículos de comunicação e a própria academia analisem tendências e compreendam as nuances da representação política. A disponibilização de informações sobre o perfil dos candidatos é um pilar para a construção de uma cidadania mais ativa e participativa, essencial para a saúde democrática.
A expressiva presença de candidatos sem experiência prévia em mandatos pode moldar de maneira única a próxima legislatura em Santa Catarina. Uma Assembleia com muitos novos parlamentares pode trazer um dinamismo diferente, com a introdução de novas pautas, formas de atuação e a possibilidade de uma maior oxigenação no debate legislativo. Essa configuração pode representar tanto um período de adaptação e aprendizado para os eleitos quanto uma oportunidade para a implementação de políticas inovadoras e uma maior aproximação com as demandas da sociedade civil, que clama por representantes mais engajados e com visões renovadas.
A renovação de quadros é uma característica inerente e saudável de qualquer sistema democrático vibrante. A entrada de novos atores no cenário político garante que diferentes vozes sejam ouvidas e que a representação se mantenha atualizada frente às transformações sociais e econômicas. Embora a experiência possa conferir solidez e conhecimento institucional, a inovação traz consigo a capacidade de questionar o status quo e propor soluções criativas para problemas antigos.
O equilíbrio entre a experiência acumulada e a energia da renovação é crucial para o funcionamento eficaz de uma casa legislativa. Os eleitores de Santa Catarina, ao avaliarem os 404 candidatos, terão a oportunidade de contribuir para esse balanço, escolhendo entre a continuidade de trajetórias comprovadas e a aposta em novos talentos que buscam construir um futuro diferente para o estado. A vitalidade da democracia depende, em grande parte, dessa capacidade de se reinventar e de acolher novas perspectivas.