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Aliado de Trump propõe controle federal de eleições por emergência, gerando alerta constitucional

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Um advogado da Flórida, Peter Ticktin, conhecido por sua proximidade com o ex-presidente Donald Trump desde a infância, está defendendo uma medida radical para as próximas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Ticktin sugere que Trump declare uma “emergência nacional” por meio de ordem executiva, sob a alegação de interferência estrangeira em urnas eletrônicas, para que o governo federal assuma o controle direto do processo eleitoral. A proposta, no entanto, é vista por especialistas e autoridades eleitorais como um movimento que poderia mergulhar o país em uma profunda crise constitucional.

Defesa de Alegações de Fraude e Conspirações

Peter Ticktin, de 80 anos, tem sido uma voz ativa na contestação dos resultados das eleições de 2020, amplamente investigadas e confirmadas. Ele sustenta a crença de que houve uma conspiração internacional, envolvendo países como Venezuela, China e Irã, para fraudar o pleito e impedir a reeleição de Donald Trump. O advogado afirma que provas substanciais dessas alegações virão à tona, embora seis anos após as eleições, nenhuma evidência concreta tenha sido apresentada publicamente.

Crédito: Mixvale.com.br

Ticktin descreve a situação como uma “tomada sorrateira de um país” e defende figuras proeminentes do movimento de negação eleitoral, como Tina Peters, ex-funcionária do Colorado recentemente libertada da prisão. Segundo Ticktin, sua cliente foi vítima de supostos crimes cometidos por oficiais eleitorais democratas. Ele também representou o ex-CEO da Overstock, Patrick Byrne, e diversos réus envolvidos nos eventos de 6 de janeiro de 2021 no Capitólio.

A Proposta da “Emergência Nacional” e o Desafio Constitucional

A ideia de uma “emergência nacional” para assumir o controle federal das eleições surge em um contexto de frustração de Trump com a incapacidade do Congresso de aprovar a “SAVE America Act”. Esse projeto de lei imporia rigorosas restrições de identificação para votação. Ticktin, um dos aliados que incentivam Trump a ir além das medidas legislativas, propõe a ordem executiva como um caminho alternativo para garantir a integridade do processo eleitoral, sob a premissa de interferência externa.

Contudo, a Constituição dos Estados Unidos é explícita ao atribuir o poder sobre as eleições aos estados e ao Congresso, e não ao presidente. Essa separação de poderes fundamenta a estrutura democrática do país. A medida proposta por Ticktin, portanto, é considerada inédita e extremamente grave, com o potencial de desestabilizar o sistema político e legal americano, gerando um impasse sem precedentes.

Alegações vs. Análise da Inteligência Americana

Enquanto Ticktin insiste na iminência de provas que corroborariam a fraude nas eleições de 2020, a comunidade de inteligência dos EUA chegou a conclusões diferentes. Uma avaliação de 2021 constatou que nações como Rússia, China, Irã e Venezuela tentaram, de fato, influenciar o pleito de 2020. Alguns agiram a favor de Trump, outros contra, e alguns tinham como objetivo principal gerar instabilidade.

No entanto, e este é um ponto crucial, a inteligência americana concluiu enfaticamente que nenhuma dessas nações “tentou alterar qualquer aspecto técnico do processo de votação, incluindo registro de eleitores, votação, tabulação ou apuração de resultados”. Essa distinção é fundamental, pois separa a tentativa de influência (como propaganda ou desinformação) da alteração direta e sistemática do processo de votação, que é o cerne das alegações de Ticktin.

A Influência de Peter Ticktin no Círculo de Trump

Ticktin se descreve como um “melhor amigo” de infância de Trump, com quem estudou na New York Military Academy. Ele afirma conversar com o ex-presidente algumas vezes por ano e ter um canal de comunicação aberto desde que o representou em um processo civil malsucedido contra Hillary Clinton. Recentemente, Ticktin esteve com Tina Peters e Trump no Salão Oval após a soltura dela, o que reforça sua imagem de acesso ao ex-presidente.

Apesar de sua autoproclamada proximidade, um funcionário da Casa Branca, sob condição de anonimato, minimizou a influência atual de Ticktin. O oficial indicou que, embora o advogado tenha boas intenções, ele tende a exagerar a natureza de seu relacionamento e não se comunica regularmente com Trump sobre políticas eleitorais. A trajetória de Ticktin, contudo, demonstra sua persistência em causas ligadas a Trump, incluindo a defesa de um “fundo anti-armamento” de US$ 1,8 bilhão, que, embora anunciado, foi posteriormente arquivado pelo governo devido a reações políticas e legais.