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Acidente com criança precedeu morte de jovem em rope jump clandestino em Limeira, revela investigação policial

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Uma atividade clandestina de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Limeira, interior de São Paulo, resultou na morte de uma jovem de 21 anos em junho, meses após um incidente grave quase vitimar uma criança de nove anos no mesmo local. A Polícia Civil concluiu o inquérito, indiciando quatro pessoas por homicídio com dolo eventual e revelando um padrão de negligência e tentativas de ocultação de provas por parte dos organizadores.

Incidente Anterior Quase Tirou a Vida de uma Criança

Em março, apenas três meses antes da fatalidade, um menino de nove anos sofreu um sério acidente na Ponte do Esqueleto. A criança, que utilizava equipamentos fornecidos pelo grupo “Entre Cordas”, quase perdeu a vida devido a uma falha no sistema de freio da corda durante um salto. Este episódio, que expôs claramente os riscos da prática sem regulamentação, não foi suficiente para interromper as operações do grupo.

Crédito: Mixvale.com.br

Luis Gustavo, um dos colaboradores da equipe que saltou com o garoto, descreveu o momento de pânico. “O garoto correu, eu o segui correndo, ele saltou e eu realizei um mortal logo após. Não escutei o grito de alegria que ele sempre dava, aquele ‘uhu’ de felicidade, e logo comecei a ouvir pessoas chamando o nome dele. Quando virei, ele já estava no chão”, relatou Gustavo, evidenciando a gravidade da queda.

Morte de Maria Eduarda de Freitas Por Salto Sem Equipamento de Segurança

Apesar do alerta prévio, as atividades de saltos continuaram no mesmo ponto. Em 13 de junho, Maria Eduarda de Freitas, de 21 anos, foi lançada da ponte sem a corda de segurança essencial para a prática. A jovem foi socorrida imediatamente, mas não resistiu aos ferimentos graves resultantes da queda.

Um vídeo, gravado pelo próprio celular da vítima, confirmou que ela foi arremessada da estrutura sem o dispositivo de proteção fixado ao corpo. Este detalhe chocante foi crucial para a investigação, que apontou para uma falha humana grave e uma completa ausência de checagem de segurança, um ponto que os responsáveis deveriam ter garantido.

Polícia Civil Indicia Quatro Pessoas por Homicídio com Dolo Eventual

A Polícia Civil de São Paulo finalizou o inquérito esta semana, indiciando quatro indivíduos por homicídio com dolo eventual. Essa classificação jurídica implica que os acusados, mesmo sem a intenção direta de causar a morte, assumiram o risco de que ela ocorresse. Os indiciados são Evelyne dos Santos, apontada como líder da equipe, e Vitor de Freitas, Maicon Cintra e Luis Felipe Egoroff, flagrados nas imagens lançando a jovem da ponte.

A investigação também revelou um padrão de tentativa de ocultação de provas nos dois incidentes. Após a queda fatal de Maria Eduarda, depoimentos indicaram que a câmera da vítima foi removida do local. Luis Gustavo confessou ter recebido instruções diretas da coordenadora, Evelyne, para pegar o aparelho e apagar o vídeo: “Ela disse: ‘Gustavinho, necessitamos. Pegue a câmera, precisamos desse aparelho, precisamos deletar o vídeo.’ Exatamente essas foram as palavras”, confirmou.

Um áudio enviado por uma ex-colaboradora reforçou a acusação, atestando que Evelyne havia feito o mesmo pedido após o acidente com o menino de nove anos em março. Por conta dessas ações, Evelyne dos Santos também enfrentará acusações por fraude processual, o que adiciona uma camada de gravidade ao caso, demonstrando uma tentativa deliberada de obstruir a justiça.

Desorganização e Operação Clandestina do Grupo “Entre Cordas”

Os depoimentos de Maicon e Luis Felipe, responsáveis pela verificação da corda, admitiram que a checagem era de sua alçada, mas alegaram desconhecer o motivo pelo qual não foi realizada. O laudo policial apontou que as atividades de saltos eram executadas com “significativa desorganização operacional”, destacando a “ausência de isolamento apropriado da área” e um “grande volume de saltos em curto espaço de tempo, o que amplifica as chances de falhas humanas e compromete a integridade”.

O grupo “Entre Cordas” operava de maneira totalmente ilegal por mais de um ano, sem qualquer formalização como empresa ou licença para a prática de atividades de risco. A Ponte do Esqueleto, atualmente sob a guarda da Secretaria do Patrimônio da União, teve seu acesso bloqueado após a tragédia com cercas, sinalização, valas e barreiras de terra, visando impedir novas ocorrências.

Defesas dos Acusados Questionam Classificação do Crime

Os advogados dos indiciados já começaram a se manifestar. O representante legal de Evelyne dos Santos expressou discordância com o indiciamento, afirmando que os argumentos da defesa serão apresentados na fase processual. Os defensores de Vitor Freitas também questionam a classificação do delito como dolo eventual.

Já os procuradores de Maicon Cintra e Luis Felipe Egoroff argumentam que o caso deveria ser enquadrado como crime culposo, caracterizado pela ausência de intenção ou de assunção do risco de provocar a morte. Essa distinção jurídica será um ponto central na disputa judicial, pois altera significativamente as possíveis penas e a responsabilidade dos envolvidos.