
Andrés Hurtado encontrou quadro abandonado em rua, levou para casa e descobriu que ele valia R$ 880 mil — Foto: Reprodução/YouTube Crédito: Extra.globo.com
Um fim de semana turístico em Sevilha, na Espanha, transformou-se em uma jornada inusitada para Andrés Hurtado, de 57 anos. O morador de Múrcia encontrou uma tela aparentemente descartada em uma rua da cidade andaluza, sem imaginar que carregava consigo um tesouro artístico avaliado em impressionantes 150 mil euros, o equivalente a cerca de R$ 880 mil na cotação atual. A história, porém, tomou um rumo ético quando a verdadeira origem da obra veio à tona, culminando na devolução do valioso item.
Andrés Hurtado passeava pelas ruas de Sevilha quando sua atenção foi capturada por uma moldura dourada. Ele notou algumas crianças deixando uma pintura para trás e decidiu recolher o objeto, não pelo valor artístico da tela em si, mas pela atrativa moldura que vislumbrava para outra de suas obras. “Pensei: ‘Que moldura legal!'”, relatou Andrés, indicando que a importância da imagem passara despercebida naquele momento da apanha.
A obra, que retrata dois barcos flutuando em um cenário costeiro, foi levada para o hotel e, posteriormente, para a casa de Andrés em Puebla de Soto. Somente após retornar à sua cidade natal, o homem dedicou mais tempo para observar o quadro, despertando a curiosidade sobre sua possível autoria e história.
Decidido a desvendar os mistérios da pintura, Andrés recorreu a uma ferramenta de inteligência artificial. A tecnologia analisou as características visuais da peça, como estilo e composição, e sugeriu que a obra poderia ser de Joaquín Sorolla. O nome evocou um dos mais renomados pintores impressionistas espanhóis, conhecido por suas paisagens luminosas e retratos vibrantes.
Apesar da indicação da IA, Andrés manteve um ceticismo inicial. “Como existem tantas réplicas e falsificações, nunca imaginei que fosse um Sorolla original”, afirmou. Contudo, a persistência da ferramenta em apontar para o mestre espanhol o incentivou a buscar uma validação mais formal. Este episódio sublinha o crescente papel da inteligência artificial na pré-identificação de obras de arte, embora a palavra final ainda pertença a especialistas humanos.
Para confirmar a sugestão da IA, Andrés procurou uma casa de leilões especializada. Lá, um perito autenticou o quadro como uma obra original de Joaquín Sorolla. A descoberta transformou o que era um achado casual em um evento extraordinário: a pintura recolhida da rua era, na verdade, um valioso trabalho do artista, com um preço de mercado estimado em 150 mil euros.
Joaquín Sorolla y Bastida (1863-1923) é uma figura central na história da arte espanhola, célebre por sua maestria em capturar a luz e a atmosfera da costa mediterrânea. Suas obras são altamente cobiçadas em coleções e leilões internacionais, o que explica o valor astronômico atribuído à tela encontrada por Andrés. Este caso ilustra como peças de arte de grande valor podem inesperadamente reaparecer, muitas vezes em circunstâncias improváveis.
A história, no entanto, não termina com a descoberta do valor. Pouco depois, Andrés soube que o quadro tinha proprietários legítimos. Uma família havia denunciado o “roubo” à polícia, após esquecer a obra durante uma mudança, e as crianças acabaram a descartando na rua. Ao tomar conhecimento do caso, Andrés agiu imediatamente, procurando as autoridades para esclarecer a situação e devolver a pintura.
A obra continha uma dedicatória pessoal de Sorolla à família, o que adicionava um imenso valor sentimental e histórico à peça, além do seu preço de mercado. Andrés, ao restituir o quadro, reiterou que não agira como um ladrão, mas como alguém que encontrou um objeto perdido. Embora tenha ficado sem o “prêmio de loteria” que o achado representava, ele manteve sua reputação intacta, priorizando a ética e a honestidade acima do ganho financeiro.